ÉPOCA publica neste sábado (25) reportagem que revela indícios de que o candidato a deputado federal Tiririca (PR) não sabe ler nem escrever. A revista traz declarações do humorista Ciro Botelho, que escreveu um livro assinado por Tiririca, e descreve situações em que o candidato demonstrou, "no mínimo, enorme dificuldade de leitura”.
O promotor da 1ª Zona Eleitoral de São Paulo, Maurício Antonio Ribeiro Lopes, anexou a reportagem a duas representações que está levando à Procuradoria Regional Eleitoral e à Corregedoria do Tribunal Regional Eleitoral de São Paulo. Ele declarou a ÉPOCA que a reportagem coloca sérias dúvidas sobre a alfabetização do candidato e propõe um teste: "Estou sugerindo que se faça um ditado com um trecho da Constituição e depois se peça a ele que leia um outro trecho. Se ele não conseguir fazer o teste, a candidatura poderá ser impugnada". O promotor quer testar Tiririca já na próxima segunda-feira (27).
A lei obriga que todo candidato apresente um comprovante de escolaridade no registro de sua candidatura. Sem esse documento, ele deve fazer uma declaração de próprio punho afirmando que sabe ler e escrever. A reportagem de ÉPOCA mostra a declaração apresentada por Tiririca ao Tribunal Regional Eleitoral de São Paulo (TRE-SP). O documento, porém, é escrito com letras redondas, bem diferente da utilizada pelo candidato nos autógrafos, em que ele “desenha o que seriam as letras do nome de seu personagem”.
Na semana passada, o Ministério Público Eleitoral já havia denunciado o candidato, que declarou patrimônio zero ao TRE-SP, por ter omitido sua relação de bens da Justiça.
De acordo com as pesquisas, Tiririca pode ser o deputado federal mais votado do país no dia 3 de outubro, com potencial para alcançar mais de um milhão de votos. Com esse número de sufrágios, o palhaço pode garantir mais quatro ou cinco cadeiras na Câmara para outros candidatos de sua coligação, formada por PT, PC do B, PR, PRB e PT do B.
DIVERSOS ASSUNTOS RELACIONADOS COM A DINÂMICA E PROBLEMÁTICA EVOLUÇÃO URBANA E OS MODELOS DE VIVER EM SOCIEDADE. INFRA ESTRUTURA URBANA... DIMINUIÇÃO DE DEJETOS E RESIDUOS NO MEIO AMBIENTE... E MAIS Veja também Diário de Toledo http://diariotoledo.blogspot.com
sábado, 25 de setembro de 2010
quarta-feira, 15 de setembro de 2010
Crime no Orkut ...irmãos são condenados a 30 anos
Dois irmãos foram condenados a 30 anos de prisão pelo assassinato de um empresário em Ribeirão Preto, a 313 km de São Paulo, na madrugada desta quarta-feira (15). A causa do crime, segundo o Ministério Público, foi uma mensagem postada pela vítima no site de relacionamentos Orkut fazendo referência a um programa feito por um dos irmãos com um travesti. A vítima e os acusados frequentavam a mesma turma de amigos.
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O “crime do Orkut”, como ficou conhecido o caso, aconteceu em um posto de gasolina no bairro Sumaré, em fevereiro de 2005. O empresário, que tinha 34 anos, foi morto com 12 tiros. O atirador não foi identificado.
O julgamento durou 16 horas e a decisão do júri popular só saiu durante a madrugada desta quarta. Condenados por homicídio duplamente qualificado, os irmãos, que respondiam em liberdade, foram encaminhados ao Centro de Detenção Provisória logo após o julgamento.
Toledo
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O “crime do Orkut”, como ficou conhecido o caso, aconteceu em um posto de gasolina no bairro Sumaré, em fevereiro de 2005. O empresário, que tinha 34 anos, foi morto com 12 tiros. O atirador não foi identificado.
O julgamento durou 16 horas e a decisão do júri popular só saiu durante a madrugada desta quarta. Condenados por homicídio duplamente qualificado, os irmãos, que respondiam em liberdade, foram encaminhados ao Centro de Detenção Provisória logo após o julgamento.
Toledo
segunda-feira, 13 de setembro de 2010
Salve...a América....
Sempre que se fala em tráfico de drogas, imaginamos um bando de homens maus, destruindo inimigos a bala. Mas é uma imagem muito abstrata, como se fosse obra do ‘crime pelo crime’. Não é.
Esses assassinos são grandes negociantes que lutam e matam por lucros, assim como se invadiu o Iraque pelo petróleo. Ou seja, a multinacional do ‘pó’ é uma empresa global.
O massacre do México é apenas o ponto final de um circuito econômico. Sabem quantas toneladas os americanos cheiram por ano?165 toneladas, são seis milhões de cafungueiros. Quanto pagaram pelos papelotes? US$ 35 bilhões por ano.
A cocaína sai de suas tocas, na Colômbia, Bolívia. No México é levada por mulas ou pobres emigrantes que fogem da miséria, invade as principais cidades dos Estados Unidos e ‘fuuuuiiimmm’ acaba nos narizes dos americanos que hoje estão horrorizados com a violência do México.
Enquanto não liberarem as drogas, o que nenhum governo tem coragem de fazer por enquanto, os massacres continuarão e os homens de bem continuarão cheirando uma e dizendo horrorizados: “meu Deus que barbaridade”.
Arnaldo jabor
Esses assassinos são grandes negociantes que lutam e matam por lucros, assim como se invadiu o Iraque pelo petróleo. Ou seja, a multinacional do ‘pó’ é uma empresa global.
O massacre do México é apenas o ponto final de um circuito econômico. Sabem quantas toneladas os americanos cheiram por ano?165 toneladas, são seis milhões de cafungueiros. Quanto pagaram pelos papelotes? US$ 35 bilhões por ano.
A cocaína sai de suas tocas, na Colômbia, Bolívia. No México é levada por mulas ou pobres emigrantes que fogem da miséria, invade as principais cidades dos Estados Unidos e ‘fuuuuiiimmm’ acaba nos narizes dos americanos que hoje estão horrorizados com a violência do México.
Enquanto não liberarem as drogas, o que nenhum governo tem coragem de fazer por enquanto, os massacres continuarão e os homens de bem continuarão cheirando uma e dizendo horrorizados: “meu Deus que barbaridade”.
Arnaldo jabor
Faltam poucas semanas para Consagrar o VOTO !!!
sáb, 11/09/10 por Cristiana Lôbo
O PSDB pretende subir o tom nas críticas à candidata petista Dilma Rousseff nesta reta final da campanha presidencial para marcar diferenças entre sua proposta e a da adversária e, assim, tentar recuperar o eleitorado que José Serra vem perdendo desde que começou a propaganda eleitoral na televisão. Ainda que não haja tempo para reverter o quadro sucessório bastante favorável à Dilma Rousseff, os tucanos consideram importante marcar diferenças.
O caso da quebra de sigilo de familiares de José Serra, chamado de Receitagate, produziu algum efeito nesta direção, ainda que pequeno: Dilma perdeu cinco pontos porcentuais entre os eleitores de maior escolaridade e sete pontos porcentuais entre os de maior renda. Quem se beneficiou disso, entretanto, foi Marina Silva (PV) que subiu um ponto porcentual na pesquisa DataFolha desta sexta-feira. Dilma manteve os 50% por cento de intenção de votos (ela compensou a perda neste segmento do eleitorado com crescimento em dois Estados do Nordeste, Pernambuco e Bahia) e José Serra perdeu um ponto e ficou com 27% das intenções de votos.
Desde o início da disputa, alguns tucanos – entre eles Fernando Henrique Cardoso - aconselharam Serra a pontuar sua campanha com críticas ao governo Lula e tratando de temas que são caros para o eleitor tucano, como política externa e também o resgate dos feitos do governo FHC. Serra, no início, optou por um caminho de se apresentar como continuidade do governo Lula e, aos poucos, viu ruir o seu eleitorado. Ele começou a campanha como favorito, com larga vantagem sobre a adversária e, neste momento, as pesquisas indicam que pode perder no primeiro turno – o que não aconteceu quando enfrentou Lula em 2002.
O maior temor do PSDB a esta altura da campanha é que o favoritismo de Dilma Rousseff provoque a chamada “onda vermelha” que afete até os candidatos tucanos favoritos nas disputas aos governos estaduais – como Geraldo Alckmin em São Paulo; Beto Richa, no Paraná e Antonio Anastasia, em Minas Gerais. Há ainda tucanos com chances de vitória em Goiás, Alagoas, Piauí e Pará, pelo menos.
Só resta saber se Sorocaba vai se beneficiar nos próximos anos.... Toledo
O PSDB pretende subir o tom nas críticas à candidata petista Dilma Rousseff nesta reta final da campanha presidencial para marcar diferenças entre sua proposta e a da adversária e, assim, tentar recuperar o eleitorado que José Serra vem perdendo desde que começou a propaganda eleitoral na televisão. Ainda que não haja tempo para reverter o quadro sucessório bastante favorável à Dilma Rousseff, os tucanos consideram importante marcar diferenças.
O caso da quebra de sigilo de familiares de José Serra, chamado de Receitagate, produziu algum efeito nesta direção, ainda que pequeno: Dilma perdeu cinco pontos porcentuais entre os eleitores de maior escolaridade e sete pontos porcentuais entre os de maior renda. Quem se beneficiou disso, entretanto, foi Marina Silva (PV) que subiu um ponto porcentual na pesquisa DataFolha desta sexta-feira. Dilma manteve os 50% por cento de intenção de votos (ela compensou a perda neste segmento do eleitorado com crescimento em dois Estados do Nordeste, Pernambuco e Bahia) e José Serra perdeu um ponto e ficou com 27% das intenções de votos.
Desde o início da disputa, alguns tucanos – entre eles Fernando Henrique Cardoso - aconselharam Serra a pontuar sua campanha com críticas ao governo Lula e tratando de temas que são caros para o eleitor tucano, como política externa e também o resgate dos feitos do governo FHC. Serra, no início, optou por um caminho de se apresentar como continuidade do governo Lula e, aos poucos, viu ruir o seu eleitorado. Ele começou a campanha como favorito, com larga vantagem sobre a adversária e, neste momento, as pesquisas indicam que pode perder no primeiro turno – o que não aconteceu quando enfrentou Lula em 2002.
O maior temor do PSDB a esta altura da campanha é que o favoritismo de Dilma Rousseff provoque a chamada “onda vermelha” que afete até os candidatos tucanos favoritos nas disputas aos governos estaduais – como Geraldo Alckmin em São Paulo; Beto Richa, no Paraná e Antonio Anastasia, em Minas Gerais. Há ainda tucanos com chances de vitória em Goiás, Alagoas, Piauí e Pará, pelo menos.
Só resta saber se Sorocaba vai se beneficiar nos próximos anos.... Toledo
terça-feira, 17 de agosto de 2010
PROCURA-SE URGENTEMENTE.....
Oi pessoal a sobrinha da Carla colega de trablho sumiu dia 02/08/10 a tarde por favor ajudem a divugar e vamos achar essa garotinha..... abaixo segue dados da menina.
yasmim miranda da silva .............. desaparecida no dia 02/08/2010 as 17 horas da creche 24 hs .....
ao lado do terminao santo antonio - sorocaba - sao paulo
Carla Mara de Miranda
segunda-feira, 26 de julho de 2010
Consumo de carne...alimenta o Homem e a crueldade Humana...
Vegetarianismo sempre!
No Inferno, todos vestem roupas brancas - por Denise Terra
Ainda não amanheceu, estamos diante da chuva e do frio do inverno gaúcho à espera do ônibus que irá nos guiar até um dos maiores matadouros do RS. Somos estudantes de medicina veterinária, cursando uma disciplina obrigatória de inspeção de produtos de origem animal. A maioria de nós encontra-se eufórica, à espera dos ‘momentos emocionantes’ do dia. Eu estou em um canto, sendo observada de perto pela professora e o coordenador do curso, que ao saberem que sou vegana e ativista, temem que eu tenha um colapso na linha de matança. Entramos no ônibus e seguimos viagem. No caminho, a sensação de que as cenas que eu teria que presenciar não seriam diferentes daquelas filmadas clandestinamente em matadouros ao redor do mundo, e ao mesmo tempo o sentimento inequívoco de que estaria prestes a presenciar uma
série de crimes considerados ‘necessários’ pela humanidade. Chegamos! Ao abrir a porta do ônibus, já somos tomados pelo impregnante odor adocicado da matança das aves que ocorre dentro do estabelecimento. Adentramos o local, após termos vestido roupas brancas especiais, e começamos a visita no sentido contrário ao fluxo produtivo para evitar contaminações no produto final. Trata-se de um corredor
estreito, com o pé direito baixo, quase um túnel, que desemboca em uma luz amarela intensa, para repelir insetos. Nossa guia, então, abre a porta e entramos na parte final da produção. Um sistema complexo de
esteiras e ganchos, chamados nórias, passam por nossas cabeças, e neles estão fixadas pelas patas as carcaças de frango, que pingam incessantemente uma gordura fétida acrescida da água hiperclorada utilizada em sua higienização. Sob as esteiras estão os funcionários que trabalham em pé, diante de uma bancada, na maioria mulheres, que nos olham com curiosidade e espanto.
A expressão em seus rostos é de uma tristeza marcante, mesclada pelo cansaço físico dos movimentos repetitivos que têm que executar diariamente. O barulho do local é ensurdecedor e, conforme andamos, o
cheiro forte torna- se cada vez mais desagradável. Em cada bancada, os funcionários devem desempenhar uma função, chamadas de linhas de inspeção, que são classificadas por letras do alfabeto. Em cada letra ocorre a retirada padronizada de determinados órgãos. Um grupo de mulheres, muitas sem luvas, trabalham retirando com as mãos, com uma destreza impressionante, a vesícula biliar das carcaças em processo de
evisceração. Mais adiante, outra funcionária dedica-se a ‘pescar’ com uma barra de metal as carcaças que caem no chão, para destiná-las à graxaria, onde serão transformadas em produtos não-comestíveis. Durante a passagem das nórias podemos observar que cada uma apresenta uma marcação com uma cor, o
que serve para fazer a contagem final dos frangos por produtor e repassar o lucro referente ao dia.
Uma máquina especial remove toda a carne restante presa nos ossos, que farão parte da liga que irá compor os caros e adorados nuggets. Estamos agora diante dos chillers, equipamentos responsáveis pelo aquecimento seguido de um resfriamento rápido das carcaças, com a finalidade de eliminar contaminantes biológicos da carne. Os chillers nada mais são do que grandes piscinas vermelhas de sangue com partículas de gordura que ficam boiando na superfície, onde os frangos ficam embebidos.
Olho para o chão e tudo o que vejo é sangue e uma quantidade absurda de água que parece verter de todos os lados para a limpeza das carcaças – estima-se que para a limpeza de cada carcaça de frango se gaste em
média 35 litros de água! Desvio o olhar para cima e vejo carcaças sangrentas passando por minha cabeça, pois estamos nos aproximando do início do processo, quando começam a surgir aves com cabeças e penas, que são retiradas em uma máquina específica, o que deixa o chão lotado de penas brancas. Nossa guia nos avisa que estamos chegando à linha de matança. Há uma diminuição abrupta da luz, onde funcionários trabalham quase no escuro. Os índices de depressão dos funcionários que exercem essa função são
extremamente elevados, devido à insalubridade. Trata-se do início do processo de insensibilização. A luz é reduzida com a finalidade de reduzir a atividade e o estresse dos animais, que são extremamente sensíveis a
este estímulo. A esteira segue com as aves penduradas na nória pela pata, de cabeça para baixo e agora passam por um túnel, onde sofrem eletronarcose – isto é, são molhadas e eletrocutadas, de modo que isso as atordoe, mas sem causar a morte. As galinhas seguem estáticas pela esteira, onde logo encontram uma serra, que fica presa a uma espécie de roda, e têm suas gargantas cortadas. Nossa guia nos explica que
dependendo do tamanho das aves a altura da lâmina deve ser ajustada, para reduzir a margem de erros no corte mecanizado. Na sequência, algumas galinhas encontram-se com o pescoço intacto, enquanto outras, mesmo com a traquéia perfurada, começam a se mexer, visivelmente conscientes. Um funcionário tem então como tarefa cortar o máximo de pescoços de galinhas que falharam na serra automática, mas a esteira passa em uma velocidade assustadora, são muitas aves que devem morrer hoje para atender à demanda do mercado, cada vez mais voraz por carne de frango. Não há tempo para cortar o pescoço de todas as
intactas, nem de abreviar o sofrimento daquelas que se debatem. As aves seguem para serem escaldadas em água fervendo. Fomos levados ao local do recebimento das cargas. Vemos caixas e caixas com mais aves do que espaço interno, em algumas há mais de dez animais. São tantas que muitas estão fora das caixas, respiram ofegantes, com o bico aberto pelo estresse e pelo medo. Elas estão há dez horas em jejum, sendo permitido o abate somente até doze horas após o início do jejum. O trabalho segue em ritmo frenético. Uma colega encontra uma galinha solta e a pega, colocando-a, de forma orgulhosa, em outra caixa que segue na esteira rumo à serra automática, emitindo um comentário de que estava feliz por ter conseguido pegá-la. Descemos as escadas e nos deparamos com o caminhão que as trouxe. Somos instruídos a não passar
muito perto, pois poderíamos ser bicados pelas aves apinhadas dentro das caixas. Nos afastamos um pouco e, em poucos momentos, vemos aves soltas em cima do caminhão. Elas tentam voar mas não conseguem, e muitas acabam caindo direto no chão. Um funcionário aparece com um gancho e as junta pelas patas, como se fosse inços em meio a grama. Violentamente, ele junta o máximo de aves que pode pegar com cada mão. As aves estão penduradas apenas por uma das patas. Então, alguém lembra que ele poderia ser mais
delicado e pensar no ‘bemestar’ animal, afinal, deste modo, os frangos podem apresentar lesões graves como rupturas e fraturas, o que compromete o retorno financeiro pela carcaça. Somos encaminhados para uma espécie de área de descanso dos funcionários, onde esperamos pelo veterinário responsável pelo setor de suínos para nos acompanhar na visita deste setor. Neste momento uma funcionária, escorada por mais duas colegas, passa em estado de choque por nós. Ela estava sangrando muito na mão. Acabou de sofrer um acidente de trabalho. Ela chora muito, a lesão parece grave. Uma colega nossa se manifesta rindo, dizendo que não vai comer o frango que ela estava eviscerando na hora que se machucou! Muitos acham graça e riem. Mais à frente vejo uma placa dizendo ‘Estamos a ZERO dias sem acidentes de trabalho’ e, logo abaixo, ‘Recorde sem acidentes:83 dias’.
No setor de suínos, passamos pelo mesmo ritual de antissepsia e adentramos outro corredor estreito com luzes amarelas. Meu nariz ainda está impregnado com o cheiro da morte das galinhas e meus ouvidos ainda
não se acostumaram ao barulho estridente das máquinas, que são fortemente audíveis mesmo com o uso de protetores auriculares. Uma porta se abre, e atrás do veterinário estão centenas de carcaças de porcos mortos pendurados pela pata traseira, passando pela esteira. O tamanho do animal impressiona. O veterinário nos conta que ali são abatidos 2350 suínos por dia! Os funcionários agora são em sua grande maioria homens, muitos aparentemente se orgulham de sua função, e riem enquanto serram o abdômen do animal e retiram as vísceras. Neste setor a esteira anda mais lentamente, devido ao tamanho do animal e a menor quantidade de animais que estão sendo abatidos, quando comparado ao setor de aves. Há sangue por tudo.Para caminhar, temos que desviar das carcaças de 100 kg penduradas sobre nossas cabeças. Os funcionários realizam seu trabalho em etapas específicas da produção, uns arrancam a cabeça, enquanto outros em outra parte da sala removem os órgãos internos e outros ainda são responsáveis pela identificação de qual cabeça pertence a que corpo, através de um sistema de numeração para posterior inspeção de possíveis lesões que possam causar danos à saúde pública. Mais à frente vemos uma impressionante sequência de dezenas de porcos abatidos subindo de uma andar ao outro pelo sistema de esteiras. Somos convidados a ir até o andar de baixo onde ocorre a sangria. Para chegarmos lá temos que descer uma escada helicoidal estreita e escorregadia, devido à presença de gordura suína sob nossas botas. No meio desta escada existe uma espécie de calha por onde passam os animais mortos, ainda cheios de sangue. Nossa roupa está tapada de respingos de sangue. De repente a temperatura do ambiente muda e começamos a sentir um calor e um barulho atípicos do lugar. Olho então para frente e vejo a cena de uma carcaça pendurada por uma pata passar por uma espécie de jogo automatizado de chamas. Durante os poucos segundos que dura o processo, podemos ver as carcaças envoltas de uma labareda azul, e sentimos
um forte cheiro de pêlo queimado. As labaredas são utilizadas para eliminar os resquícios de cerdas após a remoção dos pêlos, previamente removidos por um sistema de borrachas. Chegamos finalmente na sangria. Os gritos estrondosos dos animais deveriam fazer qualquer um perceber que não é possível existir bem-estar diante da banalização da morte. Ao invés disso, muitos riem cada vez que um suíno é grosseiramente empurrado por um funcionário, munido de uma vara capaz de disparar choques de baixa intensidade, em direção a uma espécie de escorregador totalmente fechado dos quatro lados. No fim do escorregador está um funcionário de aparência assustadora com uma barra com uma espécie de ‘U’ na ponta. O ‘U’ é
encaixado na cabeça do animal e suas pontas ficam em contato com a região temporal do crânio, onde um choque de grande intensidade é disparado. O animal cai como uma pedra, gerando um barulho característico de seu corpo desabando sobre a esteira metálica. Muitos apresentam contrações involuntárias nas patas, e parecem estar dando coices. Com uma destreza impressionante o funcionário seguinte corta a garganta do animal. Através do orifício na traquéia jorram litros de sangue. O veterinário nos explica
que neste momento o animal ainda não está morto, mas que “conforme as boas práticas de bem-estar animal, estes devem morrer dentro de no máximo seis minutos”, após ocorrer a total eliminação do sangue pelo bombeamento cardíaco. Na verdade, o real motivo para que não se aceite a morte do animal em tempo superior a este, é evitar que a carcaça fique PSE – ‘pale, soft, exsudative’, ‘pálida, friável, exsudativa’, pois este tipo de produto não apresenta a qualidade necessária exigida pelo mercado, e consequentemente há perda nos lucros. Somos levados até os currais onde podemos ver os suínos vivos serem empurrados para o escorregador. Eles estão em pânico, uns sobem sobre os outros, enquanto nos olham fixamente nos olhos com a real expressão do horror. Os gritos tornam-se cada vez mais altos e o funcionário os empurra
com o bastão de choques. Mais atrás está outro funcionário com uma espécie de relho feito de sacos plásticos, e o desfere contra o lombo dos animais para estes andarem na direção da matança. O veterinário nos explica que o relho é feito deste material para não machucar os animais. Isto constituiria crueldade, algo condenável pelo ‘bem-estar animal’, valor muito importante dentro da empresa, e que poderia acarretar em
lesões cutâneas, afetando negativamente o valor da carcaça. Por fim, podemos ver os currais de chegada, onde os caminhões descarregam diariamente os animais para o abate. É neste local que deve ser feita a inspeção ante-mortem pelo veterinário da inspetoria.
De acordo com os preceitos da humanização da morte, todos aqueles animais que chegam com fraturas na pata e que não conseguem mais se locomover adequadamente devem ser removidos em separado e enviados para a matança imediata, isto é, devem ter o direito de ‘furar a fila’ a fim de que o seu sofrimento
seja abreviado. O veterinário, com muito orgulho, faz questão de dizer que “o processo precisa ser feito”! E que já que é necessário, “é preciso fazê-lo com dignidade e respeito pelos animais”; Ele ainda afirma que na
indústria é possível assegurar que estes animais não passam por sofrimento, e que o seu fim é muito menos cruel do que seria se fossem predados por um leão na natureza!
Neste momento, é difícil conter o riso diante da tortuosidade do raciocínio exposto. Em local algum do mundo teríamos mais de 2000 suínos sendo predados em cadeia por leões vorazes, sistematicamente, todos
os dias. Ao que consta, leões não têm a capacidade de raciocínio semelhante a um humano. Eles não podem fazer escolhas, simplesmente porque não têm como refletir sobre as consequências dos próprios atos. Leões não planejam estrategicamente como irão matar suas presas a fim de terem lucro com isso, e tampouco consideram normal a condição de degradação de outros seres de sua própria espécie em prol da satisfação do luxo de outros poucos. Apenas o ser humano é capaz de ter estratégias para a exploração
máxima de todos aqueles capazes de sofrer sem de fato considerar isso.
Hoje, muito se fala sobre bem-estar animal, porém trata-se apenas de um modo mais refinado de justificar injustificáveis fins. O bem-estar animal agrada a muitos, pois consegue suavizar o sofrimento e a culpa daqueles que sustentam a indústria da morte, e ajudam a aumentar os lucros através de medidas que teoricamente são adotadas para beneficiar os animais, mas que são norteadas pelo aumento da produtividade e qualidade do produto final. O limite do ‘bem-estar animal’ vai até onde o marketing e o lucro podem vislumbrar. É inacreditável que, para a grande maioria, ingenuamente, esse ainda seja visto como o caminho para o fim do sofrimento. O sofrimento animal apenas poderá ser reduzido quando criarmos coragem para defender o direito dos animais, através da abolição do consumo de seus corpos para a satisfação fugaz de nossos desejos egoístas.
* Denise Terra é formanda em Medicina Veterinária
Flavia Maria Anahata Toledo
Giuliano Toledo - recebido por email e postado para todos....
Toledo de olho na cidade...
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